A Voepass fingia consertar aviões com defeito para burlar regras de segurança aérea
- Giovanni Avilla
- 27 de jul.
- 3 min de leitura

A conclusão consta no relatório final da investigação do Cenipa, divulgado na última quinta-feira (23).
No documento, o órgão aponta que a empresa colocava aeronaves com problemas técnicos para voar sem a efetiva correção da pane, mascarando seu caráter crônico e postergando sua resolução definitiva."
A queda do voo 2283 da Voepass aconteceu em agosto de 2024 e matou 62 pessoas entre passageiros e tripulantes.
Aeronave não deveria ter decolado
O relatório concluiu ainda que a aeronave não deveria ter decolado.
Segundo a investigação, a aeronave operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante. Nessas condições, caso houvesse possibilidade de formação de gelo durante o trajeto, o voo não deveria ter sido autorizado.
O ATR-72, de matrícula PS-VPB, fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições severas para formação de gelo durante o voo de cruzeiro. O acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave comprometeu seu desempenho, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e a queda sobre uma área residencial de Vinhedo. Ao todo, morreram 58 passageiros e quatro tripulantes.
Em nota, a Voepass diz que "desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário."
Nota na íntegra - Voepass
A queda do voo 2283, em 9 de agosto de 2024, foi o episódio mais difícil da história da VOEPASS. Desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em sua memória.
Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação.
A atuação da empresa sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais, contando inclusive com a certificação IOSA desde 2012, um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas IATA.
A tripulação do voo 2283 era experiente, capacitada e devidamente certificada, acumulando mais de 5.000 horas de voo e com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação.
Desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário.
SINOPSE
"RETIRADO DO RELATÓRIO FINAL DO SENIPA"
O presente Relatório Final refere-se ao acidente com a aeronave matrícula PS-VPB, modelo ATR-72 212A (500), ocorrido em 09AGO2024, tipificado como “[ICE] Formação de gelo, [LOC-I] Perda de controle em voo e [SCF-NP] Falha ou mau funcionamento de sistema/componente”.
A aeronave foi despachada com o sistema Airframe De-Icing em pane e, durante a fase de cruzeiro, encontrou condições meteorológicas adversas associadas a Severe Icing (SEV ICE – formação de gelo severo). Essa condição levou ao acúmulo excessivo de gelo sobre superfícies críticas da aeronave, aumento do arrasto aerodinâmico, redução significativa da velocidade e ativação de diversos avisos/alertas.
Como consequência, a aeronave entrou em condição de stall, iniciando uma trajetória descendente em atitude anormal, evoluindo, posteriormente, para uma rotação em parafuso chato, que resultou na colisão contra o solo em área residencial no Município de Vinhedo, SP.
A aeronave ficou destruída.
Os 4 tripulantes e os 58 passageiros sofreram lesões fatais.
Houve a designação de Representante Acreditado do Transportation Safety Board (TSB) – Canadá, Estado de fabricação dos motores da aeronave.
Houve a designação de Representante Acreditado do Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA) – França, Estado de projeto e fabricação da aeronave.
Houve a designação de Especialista da Junta Investigadora de Accidentes e Incidentes de Aviación Civil (JIAAC) – Venezuela, Estado que possuía cidadãos a bordo.
Houve a designação de Especialista do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) – Portugal, Estado que possuía cidadãos a bordo.




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