CIDADE ALUMNIO
- Giovanni Avilla
- há 1 dia
- 2 min de leitura

Dizem que Alumínio, no interior paulista, é daquelas cidades que cabem inteiras dentro de uma conversa de padaria. E talvez seja verdade. Basta entrar na rua principal para sentir que todo mundo parece saber de onde você veio, para onde vai e, se bobear, até o que você pretende almoçar.
O calor costuma repousar preguiçoso sobre as calçadas, como se tivesse encontrado ali um bom lugar para ficar. À tarde, o vento faz as folhas dançarem devagar, num ritmo que só quem mora ali entende. É um vento manso, desses que não têm pressa e que ensina a gente, aos poucos, a não ter pressa também.
A vida em Alumínio parece funcionar em outra rotação. O relógio marca a mesma hora do resto do mundo, mas ninguém parece refém dele. As conversas acontecem na sombra das árvores, os cumprimentos ecoam pelas portas abertas, e o tempo se estica entre um sorriso e outro.
De vez em quando, passa algum caminhão vindo da fábrica, lembrando que o nome da cidade não veio à toa. Mas o barulho não incomoda: é como um lembrete de que, mesmo pequena, a cidade tem músculos, tem trabalho, tem rotina. E ainda assim consegue manter aquele jeitinho caseiro, gostoso, de quem sabe que grandeza não é questão de tamanho.
Quando a noite cai sobre Alumínio, as luzes se acendem devagar, como se cada lâmpada pedisse licença para iluminar. Dá para ouvir os grilos, sentir o cheiro de jantar escapando pelas janelas, ver crianças voltando para casa depois da brincadeira. É um cenário simples desses que a gente acha que existem só em lembrança mas ali é real.
E talvez seja isso que faz a cidade tão especial: Alumínio não tenta ser mais do que é. E justamente por isso, acaba sendo tudo o que muita gente procura. Uma pausa. Um respiro. Uma história contada devagar, como as melhores crônicas da vida costumam ser.
NINNO AVILLA




Comentários